Há uma função sendo exigida pelo mercado que ainda não tem um nome estável. Em alguns anúncios ela aparece como “GEO Specialist”, em outros, como “AEO Manager” ou “AI Search Lead”, e na maior parte deles aparece em duas linhas dentro de uma vaga de SEO. Acompanho esse movimento de perto porque trabalho com isso, e acho que ele merece uma conversa franca, sem euforia.
O título ainda não existe, a função já
Se você abrir um site de vagas hoje e procurar por GEO ou AEO no Brasil, o padrão que se vê é parecido: a maioria das vagas pede analista ou especialista de SEO e exige conhecimento de GEO e AEO como parte do pacote. Há anúncios de empresas internacionais para profissionais baseados no Brasil, em formato remoto, com títulos como “SEO + GEO”, mas um cargo com GEO como título único e principal, em português, ainda é raro. Vale você mesmo repetir essa busca e ver o que encontra, porque esse quadro muda rápido.
Os dados mais sólidos que encontrei vêm dos Estados Unidos, e eu os trato como indicação de rumo, e não como retrato do Brasil.
Um levantamento da Omniscient Digital sobre anúncios de SEO mostrou que a presença de termos de IA nos títulos de cargo passou de 11,2% para 29,1% entre 2025 e 2026 (abre em nova aba). Numa análise mais recente da mesma empresa (abre em nova aba), de agosto de 2026, 62,2% dos anúncios de SEO já incluíam algum requisito de busca com IA, e cerca de 6% usavam títulos inteiramente novos, como “SEO & GEO Specialist”. Em outro estudo, o do Search for Hire (abre em nova aba), um em cada cinco anúncios de SEO já pedia habilidades de busca com IA, contra um em cada oito em dezembro de 2025, e os anúncios que pedem essas habilidades pagavam uma mediana cerca de 20,5% maior.
A demanda em números
Dados dos Estados Unidos- 29,1%dos anúncios de SEO com termos de IA no título em 2026, contra 11,2% em 2025 (Omniscient Digital)
- 62,2%dos anúncios de SEO já incluíam requisito de busca com IA em agosto de 2026 (Omniscient Digital)
- 1 em 5anúncios de SEO pedia habilidades de busca com IA, contra 1 em 8 em dezembro de 2025 (Search for Hire)
- 20,5%de mediana salarial maior nas vagas que pedem essas habilidades (Search for Hire)
Um dado desse conjunto muda a leitura de todo o resto, que é o fato de a grande maioria das vagas com GEO ou AEO no título continuar citando SEO, enquanto a demanda por SEO em si ficou estável, sem queda. Ou seja, não estamos diante de uma profissão que substitui outra, e a minha leitura é que se trata de uma especialização crescendo dentro de um campo que já existe.
O que essa pessoa faz, na prática
As descrições das vagas se repetem em quatro atividades. A primeira é auditar como ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity descrevem uma marca, ou seja, o que dizem certo, o que dizem errado e o que não dizem. A segunda é corrigir os sinais técnicos e de conteúdo por trás disso, como dados estruturados, organização das páginas, respostas diretas e consistência de informações. A terceira é construir autoridade fora do site, com menções, diretórios, avaliações e imprensa especializada, e a quarta é testar, medir e relatar o que mudou.
Uma das descrições que li pedia explicitamente para testar conteúdo, estrutura de página, formatos, fontes e sinais de autoria, a fim de entender o que realmente move a visibilidade e a citação em IA. Isso diz muito sobre o estágio do campo, porque se trata de uma disciplina de experimentação, e não de receita pronta.
Há um ponto sobre medição que considero decisivo para quem pensa em seguir esse caminho. O estudo da SparkToro com a Gumshoe.ai (abre em nova aba), com quase 3 mil respostas de ChatGPT, Claude e Google, mostrou que a chance de receber a mesma lista de marcas duas vezes é menor que 1 em 100, embora a frequência com que certas marcas aparecem ao longo de muitas repetições seja bem mais estável. A consequência prática é que um profissional sério mede a frequência de aparição em um conjunto fixo de perguntas, repetido várias vezes, em vez de mostrar um print como prova. Quem promete a primeira posição no ChatGPT está vendendo algo que o próprio comportamento do sistema não permite prometer.
Quem chega com vantagem
Não vejo uma única porta de entrada. Quem vem de SEO tem a base técnica, e o GEO é uma extensão dela, enquanto quem escreve bem, como redatores e jornalistas, leva vantagem na camada de respostas claras e bem estruturadas. Quem trabalha com assessoria de imprensa e relações públicas tem um ativo que costuma ser subestimado, já que a McKinsey indica que o site da própria marca responde por apenas 5% a 10% das fontes que as IAs consultam (abre em nova aba), e as menções de terceiros são a maior parte do resto. E quem vem de social media e quer migrar para estratégia encontra aqui um território de diagnóstico, que casa com a mudança do papel da profissão.
O que une todos eles é entender como as IAs leem e escolhem, que é diferente de como as pessoas leem e escolhem
A janela, com o que eu sei e o que não sei
Não sei dizer por quanto tempo essa janela fica aberta, e desconfio de quem crava um prazo. O que os dados mostram é velocidade, porque, nos Estados Unidos, a proporção passou de um em cada oito anúncios para um em cada cinco em poucos meses.
Em outras ondas do marketing digital, o padrão se repetiu. “Gestor de redes sociais” era um título que quase ninguém usava na virada dos anos 2000 para os 2010, e quem entrou cedo acumulou histórico, casos e reconhecimento antes de o campo ficar disputado. Chegar cedo não garante nada, e um título sem substância não se sustenta, mas, num campo em que o conhecimento ainda é escasso e a prova de resultado ainda é rara, quem tem prática documentada tende a ser visto.
Como eu começaria, sem curso e sem atalho
- Leia as fontes primárias. O estudo acadêmico que deu nome ao GEO, de pesquisadores de Princeton, Georgia Tech, Allen Institute for AI e IIT Delhi (2023), a orientação oficial do Google sobre recursos de IA na busca e o relatório da McKinsey sobre busca com IA.
- Aplique em você primeiro. Organize a sua própria entidade digital, com site, perfil, dados estruturados e informações consistentes.
- Monte um painel de perguntas do seu nicho e repita ao longo das semanas, registrando a frequência de aparição e as fontes citadas.
- Documente dois ou três casos com método, registrando o que estava antes, o que foi feito, o que mudou depois e quais são as limitações da medição.
- Publique o que aprender. Num campo sem diploma e sem título consolidado, a forma de mostrar competência é mostrar o processo.
(ampliar imagem)O que eu levo disso
Não tenho a resposta definitiva sobre como essa carreira vai se chamar daqui a dois anos. O que consigo ver é que há trabalho real, que ele está sendo pedido e que ainda não há um caminho único para chegar a ele, e, para mim, isso é um bom sinal, porque significa que dá para construí-lo fazendo.
Perguntas frequentes
Não é pré-requisito. As vagas que li pedem, sobretudo, anos de experiência com SEO, conhecimento técnico e portfólio com resultados, e a base do conhecimento está em fontes públicas e se consolida na prática.
Profissionais de SEO têm a transição mais natural, mas redatores, jornalistas, profissionais de relações públicas e estrategistas de conteúdo também levam vantagem em partes específicas do trabalho.
O movimento aparece nas vagas brasileiras e nas de empresas internacionais que contratam no Brasil, mas os dados quantitativos mais sólidos que existem hoje são americanos. Trate os números como direção, e não como medida do mercado brasileiro.






